Oradores Convidados

A.Dias FigueiredoAntónio Dias de Figueiredo é professor catedrático aposentado do Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), onde se dedica à investigação em “Sistemas de Informação nas Organizações”, “TIC na Aprendizagem e na Educação”, “Estratégia e Qualidade na Educação Superior” e “Métodos de Investigação Qualitativa”. Exerce também atividade de consultoria em regime independente. É autor e coautor de mais de três centenas de artigos e apresentou cerca de quatro centenas de comunicações no País e no estrangeiro. Entre os seus capítulos em livros mais recentes, destacam-se “On the Historical Nature of Engineering Practice” (2013), “The Sustainability of e-Collaboration” (2008) e “Action Research and Design in Information Systems: Two Faces of a Single Coin” (2007). Integrou cerca de duas centenas de comissões organizadoras e comissões científicas de conferências realizadas em Portugal e no estrangeiro. É membro dos conselhos editoriais e consultivos do “International Journal of e-Collaboration”, da “Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão” e da revista “Educação, Formação & Tecnologias”.

A Investigação Qualitativa e os Desafios da Complexidade*
Poderão as agendas da investigação científica deste século XXI confrontar com rigor a complexidade, a incerteza, o desacordo entre atores, o acaso e, mesmo, o salto no desconhecido que caracteriza os processos intensamente criativos dos nossos dias? Será desejável fazê-lo? A minha resposta, nesta apresentação, é que sim. Primeiro, porque os problemas sociais dos nossos dias são cada vez menos determinísticos e cada vez mais complexos. Segundo, porque as realidades económicas, políticas, científicas e tecnológicas que investigamos são cada vez mais sociais e, assim, também, mais complexas. Quando os problemas que enfrentamos são determinísticos, mesmo que complicados, podemos formulá-los com rigor, identificar requisitos e estabelecer percursos planeados que nos colocam na rota da solução. Quando, pelo contrário, os problemas não são determinísticos ou ocorrem em espaços de causalidade múltipla, que tornam impossível formulá-los com clareza, os métodos e instrumentos que tradicionalmente usamos tornam-se obsoletos. Esta apresentação procura mostrar que as abordagens qualitativas nos oferecem métodos e instrumentos ideais para estas situações. Para o efeito, recorre a um conjunto de princípios da filosofia da ciência e a exemplos concretos que ilustram e operacionalizam a visão proposta, na convicção de que o cientista atento à problemática da complexidade estará mais bem equipado para estudar a realidade dos nossos dias, na sua fascinante riqueza e diversidade.

* A apresentação será realizada em português


MTAngueraM. Teresa Anguera Argilaga, é professora catedrática de Metodologia das Ciências do Comportamento da Faculdade de Psicologia da Universidade de Barcelona. É licenciada em Psicologia e em Direito e doutorada em Psicologia pela Universidade de Barcelona. As suas linhas de investigação são a metodologia observacional, a avaliação de programas de baixa intervenção e os métodos mistos de investigação. Coordenou 19 projectos de investigação competitivos comparticipados pela administração pública, assim como um Grupo de Investigação consolidado pela Generalitat de Catalunha. É autora ou co-autora de 34 livros, 119 capítulos de livros, 214 artigos e 414 comunicações. Orientou ou co-orientou 53 teses de doutoramento já defendidas. Tem 6 sexénios de investigação. É académica numerária da Real Academia de Doutores e membro correspondente da Real Academia de Medicina da Catalunha. No que concerne à gestão, foi Secretaria da Faculdade de Psicologia, Chefe de Estudos da Titulação de Psicologia, Directora do Departamento de Metodologia das Ciências do Comportamento, responsável da Secção de Investigação do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona, Vice Reitora de Política Científica da Universidade de Barcelona e Vice Reitora de Política Docente e Científica da Universidade de Barcelona.

Desde el relato cualitativo al análisis cuantitativo no convencional: Rigor en la extracción de patterns y estructuras en el microanálisis comunicativo* 
A lo largo de los últimos años, se ha producido un incremento incesante de prestigiosas publicaciones en las cuales se debate la calidad de las investigaciones, y no constituyen ninguna excepción la metodología cualitativa ni los mixed methods. Este trabajo se situa en el contexto de la observación indirecta aplicada al microanálisis comunicativo en sentido amplio, abarcando un perfil correspondiente a relatos de naturaleza interlocutoria que se producen independientemente del formato. Este proceso, tanto si es corto como prolongado en el tiempo, consiste en el análisis del flujo comunicativo por parte del emisor y del receptor en cada acto comunicativo, y que consideramos centrado en el contenido del mensaje, expresado mediante la conducta verbal. Se presentará el desarrollo metodológico que permite transitar desde el relato cualitativo al análisis cuantitativo no convencional, y que esquemáticamente requerirá la segmentación del flujo comunicativo en unidades textuales (a partir de la especificación de criterios), construcción de un instrumento no estándard adaptado a las peculiaridades de la situación comunicativa, registro (que permitirá asignar cada unidad a un código de los establecidos en el respectivo instrumento, obteniéndose matrices de códigos), control de calidad del registro (para detectar posibles disfunciones y corregirlas), y análisis no convencional de datos (teniendo presente que los datos son cualitativos, pero el análisis al que se someterán es cuantitativo, mediante técnicas como el análisis secuencial de retardos, análisis de coordenadas polares, detección de T-Patterns, etc., con la finalidad de detectar patterns y estructuras comunicativas no visibles, pero existentes, en el intercambio comunicativo, que son perfectamente interpretables. Su relevancia es indiscutible, dado que abre una vía de análisis altamente fructífera en el estudio de la comunicación humana en cualquier ámbito.

* A apresentação será realizada em espanhol


HKnoblauchHubert Knoblauch, is Professor of General Sociology at the Technical University of Berlin. He has been teaching and doing research among others at the Universities of Constance, Zurich and Vienna UC Berkeley and King’s College. His research interest range from social theory to the sociology of religion and knowledge and, of course, qualitative methods, particularly ethnography and videography. In 1997 he received the Christa-Hoffmann-Riem-Award for Qualitative Research; in 2003 he has been Chair of the Research Network Qualitative Methods in the European Sociological Association, and he is Board Member of Qualitative Review, Forum Qualitative Research and Qualitative Sociology Research. He has published numerous papers in the fields.
His books on Qualitative Methods include:
Hubert Knoblauch, Bernt Schnettler, Rene Tuma: Videography. New York: Lang 2014.
Hubert Knoblauch, Alejandro Baer, Eric Laurier, Sabine Petschke & Bernt Schnettler, eds, Visual Analysis. New Developments in the Interpretative Analysis of Video and Photography. Forum: Qualitative Social Research, 9(3) (2008)
Hubert Knoblauch, Uwe Flick und Christoph Maeder (Hg.): Qualitative Methods in Europe: The Variety of Social Research. Sonderheft von Forum Qualitative Sozialforschung/ Forum Qualitative Social Research 6/3 (2005)
Hubert Knoblauch: Qualitative Religionsforschung/ Qualitative Religious Studies. Paderborn 2003.

Videografia e Video-Análise*
Dentro da vasta e crescente gama de correntes no campo da investigação qualitativa, a vídeo-análise é um instrumento particularmente adequado para o estudo das interações e para as observações etnográficas multi-situadas [“multi-sited ethnographies”] em contextos de situações sociais. Este método facilita o estudo das formas de interação e comunicação social dentro dos seus respetivos contextos de uso. Dentro do cânon da investigação qualitativa, a vídeo-análise é, no entanto, um método relativamente recente em comparação com a análise de texto. O método de vídeo-análise qualitativa está a ser desenvolvido e, sem dúvida, requer competências especiais de investigação. Implica uma ampliação dos dados a ter em conta na investigação qualitativa e, por sua vez, estende a sua perspetiva de superar as limitações dos métodos exclusivamente vinculados a texto. Do nosso ponto de vista metodológico, é importante notar que o visual não tem interesse a nível estático, mas sim nas suas formas processuais, entrelaçadas em contextos interativos e performativos.

* A apresentação será realizada em Inglês