Egberto Turato CIAIQ2019

Egberto Turato

Orador Convidado CIAIQ2019

Egberto Ribeiro Turato, médico especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Professor Titular em Prática de Ciências, concursado pela Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas, Estado de São Paulo, Brasil. Líder do LPCQ – Laboratório de Pesquisa Clínico-Qualitativa, credenciado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador de mestrados/doutorados nas áreas de Saúde Mental, Saúde da Mulher e Oncologia, com pesquisas em settings hospitalares de complexidade. Autor do ‘Tratado da Metodologia da Pesquisa Clínico-Qualitativa: Construção Teórico-epistemológica, Discussão Comparada e Aplicação nas Áreas da Saúde e Humanas’, 6ª ed., Editora Vozes. Autor do hot paper ‘Qualitative and quantitative methods in health: definitions, differences and research subjects’, disponível aqui >>

Pesquisa Qualitativa é ideia ampla nas Ciências. Os Métodos Qualitativos dão-lhe foco

Resumo: As múltiplas áreas de produção universitária estão rigidamente organizadas e institucionalizadas – historicamente e sociologicamente. A extensão e complexidade deste fenômeno nem sempre é perceptível, mesmo aos próprios pesquisadores. Tais áreas do pensamento existem debaixo de consolidados paradigmas, dos quais os pesquisadores argutos têm consciência ao longo de sua vivência. A tendência será focarem um método nítido de busca de respostas ao entendimento particular de seu assunto. Observando a comunidade de pesquisadores, temos que participantes teóricos e praticantes de determinado modelo de pensar – e fazer Ciência – têm naturalmente preferências por certo assunto, que então se constituem bem delimitados. Aspirantes a executor de pesquisas costumam ser naturalmente ingênuos na imersão ao meio universitário. Ocorre ainda que pesquisadores, em um modelo paradigmático, utilizam quase que inercialmente uma estrutura de linguagem e, assim, trabalham com entidades concretas e bem recortadas. Neste afã de evidenciar seu assunto de investigação, de aplicar usar ferramentas de coleta, por fim, de ‘rodar’ resultados obtidos dentro de certo quadro teórico, os pesquisadores mostram, frequentemente, seu modo (que é particular) de investigar nas Ciências Humanas como se fosse único, em desconsideração (involuntária) a outros modos. Este é um cacoete comum do pesquisador qualitativista – nem sempre só o novato. O principiante não detém conhecimento refinado sobre seu percurso/método, comparativamente à diversidade metodológica desenvolvida na ampla literatura acadêmica das Ciências Humanas e que então disponíveis nas prateleiras do mundo acadêmico. Considerando a estrutura existente no conjunto das pesquisas científicas, cada colega inserido em determinado paradigma não deveria genericamente dizer ‘faço pesquisa qualitativa’. Mas deveriam identificar “qual ela é”; e porque “não é outra”. Neste ponto, pesquisadores qualitativistas têm a aprender com a história percorrida por nossos colegas experimentalistas e estudiosos de populações. Um pesquisador em fisiologia vegetal ou um físico de materiais pesados não dizem simplesmente ‘faço pesquisa quantitativa’, pois se sentiriam sem identidade acadêmica. Aí entra a necessidade de definição dos métodos científicos em pesquisa qualitativa, pois o método específico apresentado dá clareza ao paradigma em que o pesquisador está trabalhando (ciências psicológicas, ciências sociais, linguísticas, da educação, e assim por diante). Esse cuidado metodológico-pedagógico, para clarear o paradigma em que se trabalha, pode começar antes: pelas diferenças com os métodos quantitativos. Sim, ao comparar cada passo do trabalho em Ciências Humanas com o correspondente passo em Ciências Naturais, o qualitativista escorregará menos no rigor necessário para validação de seu empreendimento em Ciência.