Stella Taquette Oradora Convidada CIAIQ2020

Stella R. Taquette

Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil)

Médica, con Postdoctorado en Salud Pública, Doctorado en Medicina, Especialidad en Bioética y Ética Aplicada. Profesora Titular de la Universidad Estatal de Río de Janeiro-UERJ, Brasil. Coordinadora General del Programa de Postgrado en Bioética, Ética Aplicada y Salud Pública (PPGBIOS) de UERJ / UFRJ / UFF / Fiocruz y profesora permanente del Programa de Postgrado en Ciencias Médicas (PGCM) de UERJ. Profesora visitante en el Imperial College London. Autora del libro «Pesquisa qualitativa para todos», de próxima publicación, Editorial Vozes (Petrópolis – Río de Janeiro).

CONFLITOS ÉTICOS NO DESENVOLVIMENTO DE INVESTIGAÇÕES QUALITATIVAS
A qualidade e o valor de uma investigação qualitativa dependem do respeito aos princípios éticos durante todo o processo da pesquisa. Para isso, a justificativa do estudo deve ser útil e relevante e este ser conduzido por pesquisadores sérios, competentes, conhecedores das normas e leis. A proteção aos participantes precisa ser assegurada e estes serem informados sobre o conteúdo da pesquisa. O consentimento à participação deve ser livre, sem coerção, tendo o anonimato e a confidencialidade garantidos. Devido ao dinamismo dos estudos qualitativos, possíveis situações adversas necessitam ser previstas e prevenidas e, as imprevistas, equacionadas da melhor forma. Apesar de todos esses cuidados, circunstâncias conflituosas acontecem. Os conflitos mais comuns dizem respeito à/ao: revelação pelo pesquisado de atos criminosos/ilegais, ou de informação importante que precisa ser publicizada; desconforto/sofrimento provocado pela pesquisa no pesquisado; quebra involuntária do anonimato do pesquisado; qualidade do relacionamento entre pesquisador e seu pesquisado de forma que ao mesmo tempo em que se conquiste a confiança do participante, o investigador não venha a se colocar no papel de terapeuta ou juiz; não respeito por parte de um integrante de grupo focal às regras pactuadas provocando constrangimentos nos demais participantes; interesse pessoal do pesquisado na pesquisa; risco enfrentado pelo pesquisador na ocorrência de situações adversas como ser agredido ou roubado ou se sentir desconfortável por questões pessoais relacionadas ao tema da pesquisa; entre outras. Para lidar com situações dilemáticas não é suficiente respeitar normas éticas e ter a pesquisa aprovada por comitês e colegiados com finalidade e competência legal para isso. É preciso atuar preventivamente e agir com reflexividade durante todo o desenvolvimento da pesquisa, ou seja, examinar e reformar constantemente as próprias práticas de pesquisa de forma a dar solução aos problemas que surgem, protegendo os pesquisados, atendendo suas necessidades e respeitando seus direitos.