Suely Deslandes

Suely Ferreira Deslandes

Oradora convidada CIAIQ2018

É graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (1990), mestre em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (1993) e doutora em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (2000). É pesquisadora Titular da Fundação Oswaldo Cruz, professora permanente do Mestrado e Doutorado em Saúde da Criança e da Mulher (PGSCM-IFF) e do Mestrado e Doutorado em saúde pública da ENSP. É editora associada dos Cadernos de Saúde Pública e da coleção Criança, Mulher & Saúde -Ed. Fiocruz. Participa do conselho editorial da revista Salud Colectiva. Atuou como coordenadora do Programa PGSCM-IFF em 2010-2012. Tem atuado nas comissões da Capes para avaliação dos programas de pós graduação em saúde coletiva. Atua como professora colaboradora na Universidad de Lanús. Áreas temáticas: Sociologia da saúde, violência e Saúde, avaliação de programas e serviços e metodologias qualitativas.

Resumo da Conferência (11 de julho)
A produção de inferências: o ato político e epistêmico de interpretar
A produção de inferências constitui o exercício fundamental para a análise nas abordagens qualitativas e nela reside a assinatura epistemológica que a distingue de outros modos de produzir conhecimento científico. Assim, problematizar sobre suas implicações metodológicas processuais, epistêmicas e suas consequências ético-políticas constituem o eixo dessa conferência. Entre as análises de baixa inferência, atadas ao descritivismo empírico, e as de alta inferência, vocacionadas às análises de forte caráter autoral persiste o debate sobre o papel do pesquisador e sua performance interpretativa. Certos estamos de que acionar o  rigor procedimental prescrito por determinado método não é suficiente para produzir inferências, outrossim se revalorizam outros procedimentos não delimitáveis objetivamente, tais como a intuição, a criatividade teórica, a analogia e a indução. O desafio continua ser o de produzir inferências capazes de fazer pontes dialógicas entre as mais refinadas abstrações teóricas e a riqueza e complexidade das práticas do mundo da vida. Balizados por uma dupla hermenêutica, de interpretação de interpretações, seguimos na encruzilhada aberta desde a década de 1980 sobre as críticas quanto à possibilidade de representar os sentidos, significados e vivências do outro ou de falar em seu nome. Assim, por um lado multiplicam-se os escritos sobre os procedimentos de vigilância epistemológica, convidando ao exercício da análise da reflexividade e do exame da narratividade científica e, por outro, se expandem as epistemes pós-modernas que vigorosamente criticam o silenciamento de muitas vozes, convocam outros atores como sujeitos do conhecimento e defendem outros modos de fazer ciência. Todavia, a despeito das vertentes, se impõe compromissos éticos, seja nas relações entre sujeitos de pesquisa, na co-produção das interpretações, seja na sua disseminação.